GRUPO B – SETOR DE ENSINO / APRENDIZAGEM

· ANA CLAUDIA SATIE KAKIHATA - satie_kakihata@hotmail.com

· VANESSA BITENCOURT PAZZINI - vanessa.pazzini@yahoo.com

· Henrique Issamu Terada - hterada@gmail.com



Recomendo analisar com foco nas quatro empresas de capital aberto do setor: Anhanguera Educacional, Estácio Participações, Kroton Educacional e Sistema Educacional Brasileiro (SEB).
Luciel H de Oliveira

Educação: Em 10 anos, o número de faculdades privadas no país dobrou para 2,3 mil

Nova onda de consolidação no ensino superior começa em 2010

VALOR ECONÔMICO - Beth Koike e Paola de Moura, de São Paulo e do Rio
25/01/2010
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Escala, gestão e qualidade no ensino. A combinação desses fatores tem levado instituições ao sucesso ou a sérias crises no concorrido mercado privado de ensino superior, que começa o ano aquecido (ver operação entre Kroton e Iuni nesta página). O setor pode movimentar neste ano cerca de R$ 2 bilhões em fusões e aquisições, segundo a consultoria Hoper.

Nos últimos anos, o setor de ensino superior privado mudou completamente de perfil. Até o final da década de 90, havia poucos grupos - a legislação não permitia a atuação de instituições de ensino superior com fins lucrativos. Hoje, há cerca de 2,3 mil faculdades particulares - número equivalente ao dobro de 10 anos atrás. Na Grande Florianópolis, por exemplo, havia apenas quatro faculdades em 1998. Hoje são 40.
A expansão acelerada, alimentada por aquisições, dividiu o mercado, a grosso modo, em dois: os grandes grupos, cuja estratégia é crescer comprando concorrentes, e as universidades e pequenas faculdades, que enfrentam sérias dificuldades financeiras.
Um conjunto de fatores explica esse quadro: a concorrência acirrada jogou os preços das mensalidades para baixo; a inadimplência por parte dos alunos aumentou; o endividamento das instituições com bancos e o Fisco cresceu; a superoferta de faculdades fez cair a demanda; a adoção do ensino a distância reduziu o faturamento; e, em vários casos, a gestão não profissionalizada e a falta de rigor no controle dos gastos pioraram a situação.
Em 1996, o valor médio das mensalidade era de R$ 840, caiu para R$ 510 em 2005 e ficou em R$ 457 no ano passado. A receita do setor entre 2005 e 2009 saltou de R$ 21,9 bilhões para R$ 24,9 bilhões - comprovando o processo de consolidação. "Hoje, os maiores 20 grupos educacionais detêm 32% dos alunos das faculdades particulares. Há cerca de cinco anos, esse percentual era de 19%", diz Ryon Braga, sócio da Hoper.

A concorrência tem sido tão acirrada que há instituições de ensino que se tornaram praticamente "incompráveis", observa Braga. Em suas contas, há cerca de 27 faculdades com dívidas equivalentes a 1,5 vez o seu faturamento anual. "Praticamente todas as faculdades pequenas são familiares e têm dívidas. As suas margens operacionais são baixas e ao mesmo tempo elas têm pouca capacidade de investimento, tendo que buscar socorro nos bancos", diz Ricardo Scavazza, vice-presidente operacional da Anhanguera, uma das gigantes do ensino superior no país e que fez, até agora, o maior número de aquisições, um total de 25.
O endividamento alto é detectado em instituições de diversas regiões do país. Enfrentam, ou já tiveram problemas financeiros recentes, as cariocas Cândido Mendes e Gama Filho, a gaúcha Ulbra, a mineira UNI-BH, e as paulistas Unib e São Marcos, entre outras.
O professor Cândido Mendes, reitor da universidade fluminense que leva seu nome, diz que outro fator que o levou à beira da bancarrota é a legislação, conhecida como "lei do calote", que permite ao aluno inadimplente continuar cursando a universidade durante o semestre, mesmo não pagando a mensalidade. Segundo Mendes, essa lei fez com que a inadimplência do setor subisse para 30%. "Muitos alunos que renegociam a dívida para fazer a matrícula, depois não honram o compromisso. Por isso, temos dificuldade de honrar nossos compromissos ao longo do semestre", explica o professor, que tem dívidas com bancos e aderiu ao Refis 4 para parcelar os depósitos atrasados do FGTS.
Entre as instituições de médio e grande portes de controle familiar, a grande desvantagem, em geral, é a ausência de uma gestão tão profissionalizado como a dos grupos que já abriram o capital e têm fundos de investimento por trás. Mais de 80% das faculdades médias e grandes vendidas tiveram como motivação problemas societários. "As grandes instituições são do tempo da inflação, reserva de mercado e grande demanda de alunos, época em que era fácil ganhar dinheiro com educação. Agora, o cenário é outro e exige um alto nível de gestão", diz Braga.
Passados pouco mais de 10 anos da abertura de mercado, a concorrência no setor cresce a passos galopantes. Mas a qualidade no ensino tem sofrido. O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) referente a 2008 mostra que 27,1% das instituições privadas tiveram notas 1 e 2 - consideradas ruins. A nota máxima é 5. Entre os grandes grupos consolidadores, cuja receita cresce constantemente, a nota média no Enade é de 3.
O professor Francisco Barone, da Escola de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é um dos críticos do atual cenário no ensino superior. Ele diz que vários vestibulares passaram a ser apenas "de fachada" e lembra o caso de um analfabeto que chegou a ser aprovado no Rio de Janeiro.
Mas a questão da má qualidade no ensino parece já estar incomodando os próprios alunos e algumas instituições começam a enxergar a importância de um ensino melhor. A paulistana Uniban, onde uma estudante de vestido curto causou uma confusão nos corredores no ano passado, vem atraindo menos alunos do que gostaria. "O número de alunos na Uniban vem caindo há algum tempo. Não é só devido ao caso Geisy. Lá só há três aulas por período. Com a concorrência, o preço das mensalidades é muito semelhante e o aluno acaba optando por aquela faculdade em que o ensino é um pouco menos defasado", diz uma fonte que até pouco tempo trabalhava na Uniban.
A carioca Estácio de Sá, cuja nota no Enade 2008 foi 3, reconhece o problema e está investindo parte de R$ 10 milhões para melhorar a qualidade do ensino.
"Em um futuro não muito distante, o mapa competitivo no setor já estará definido. O grande elemento diferenciador será o valor da marca, a credibilidade da instituição" diz Ryon.

Mercado imobiliário: Com a expectativa de novas fusões entre grupos de educação, número de imóveis disponíveis para compra e posterior locação deve aumentar.
Fundos caçam oportunidades no setor de ensino superior

VALOR ECONÔMICO - Por Alessandra Bellotto, de São Paulo
05/11/2009






O setor de educação entrou no radar dos gestores e administradores dos tradicionais fundos imobiliários. O alvo são os imóveis que abrigam os campi das instituições privadas, especialmente de ensino superior, e seu potencial de retorno na forma de receitas com aluguéis.
O primeiro negócio público, em abril, envolveu a compra pelo fundo CSHG Real State, administrado pela Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG), do imóvel onde fica o campus de Pirituba, na zona Oeste de São Paulo, da Anhanguera Educacional, companhia aberta líder no mercado brasileiro de ensino superior.
A Anhanguera Educacional também dá nome a um novo fundo imobiliário, de R$ 38 milhões, que acaba de receber o registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Estruturada pela Brazilian Mortgages, a carteira se prepara para fazer a primeira emissão primária de cotas, no total de 381.378, com valor unitário de R$ 100 cada. A aplicação mínima para o investidor será de R$ 10 mil.

Hermes Figueiredo: em cinco anos, 30 grupos devem controlar 70% do setor
O objetivo do fundo, que será administrado pelo Banco Ourinvest, é adquirir terrenos e imóveis comerciais para a exploração mediante locação para a Anhanguera Educacional Participações S.A. (Aesapar), holding que controla a Anhanguera Educacional. Os recursos a serem levantados com a oferta serão destinados à compra de imóvel localizado na Rodovia Régis Bittencourt, no Taboão da Serra (SP), já com a garantia do contrato de locação de 15 anos. A aquisição do imóvel será feita por aproximadamente R$ 37,4 milhões. O valor do aluguel foi fixado em R$ 373,9 mil, o equivalente a 1% do valor do imóvel. Novas emissões estão previstas, aponta o prospecto preliminar.
Outro fundo com foco no setor de educação está prestes a sair do forno. Batizado de Educacional, chegará ao mercado com a expectativa de captar R$ 200 milhões, aponta o prospecto preliminar. A estruturação e administração ficarão a cargo das mesmas instituições do Anhanguera Educacional. A nova oferta, contudo, marca a estreia de duas assets no setor de fundos imobiliários: Claritas Administração de Recursos e Credit Suisse Brasil. Ambas vão atuar como gestoras da carteira.
O fundo terá como política buscar oportunidades de aquisição de imóveis para posterior locação para instituições de ensino superior ou empresas controladas por escolas superiores. Serão alvo dos gestores empreendimentos imobiliários de grupos educacionais com mais de 10 mil alunos e localizados em regiões metropolitanas de qualquer cidade brasileira.
A fim de diversificar os riscos, foi fixado o limite de 25% do patrimônio para aplicação em um único empreendimento e em único locador. Assim, a carteira de investimentos do fundo deverá ter, pelo menos, quatro diferentes imóveis com quatro diferentes locatários. Nessa primeira emissão, serão ofertadas até 200 mil cotas, com valor unitário de R$ 1 mil cada. A aplicação mínima será de R$ 30 mil, o que para o tamanho da emissão sinaliza a intenção de pulverizar a operação.
Operações como essas serão cada vez mais comuns daqui para frente, acreditam os especialistas. Do lado do mercado de fundos imobiliários, a demanda do investidor anda bastante aquecida em função dos retornos atraentes se comparados à atual taxa de juros. A isenção de imposto de renda sobre os rendimentos distribuídos a partir das receitas com os aluguéis dos imóveis para o investidor pessoa física torna a aplicação mais rentável do que muito fundo de renda fixa.
Levantamento da Rio Bravo com 18 fundos negociados em bolsa há pelo menos um ano mostra que o retorno médio entre janeiro e agosto superou os 42%, entre valorização das cotas no mercado e rendimento distribuído. Só com a renda mensal proveniente dos aluguéis dos imóveis, os investidores tiveram um ganho médio de 7,58% em oito meses sobre o valor de mercado dos fundos na virada do ano. O desempenho equivale a 137,59% da variação do CDI.
O setor de educação também oferece boas oportunidades para os fundos, dada a expectativa de continuidade do movimento de consolidação. No ano passado, foram fechados mais de R$ 650 milhões em negócios de fusões e aquisições, volume recorde para o setor, segundo dados de mercado. Só a Anhanguera fechou 15 aquisições. Neste ano, a onda continua, com destaque para a compra de participação na Kroton Educacional pelo fundo de private equity Advent e do Pueri Domus pelo SEB - Sistema Educacional Brasileiro.
Para o fundo, a consolidação significa mais imóveis passíveis de aquisição e já com contrato de locação de longo prazo garantido. Conforme destaca Sérgio Werther Duque Estrada, sócio da consultoria financeira Valormax, há muitos negócios para sair em função da política agressiva de expansão de grandes grupos como Anhanguera, Estácio de Sá, Kroton, além do avanço de estrangeiros como os americanos Laureate, que em 2005 assumiu o controle da Anhembi Morumbi, e DeVry, dono da Fanor, entre outros. "Esses grupos só compram o negócio de educação, os imóveis ficam sempre de fora das transações", afirma. Ele conta que a negociação, contudo, já sai com o contrato de locação.
Para se ter ideia do potencial de negócios, há no país mais de 2 mil instituições privadas de ensino superior e 1,2 mil grupos mantenedores. Grande parte são empresas familiares com dificuldades financeiras, destaca o representante do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), o professor Hermes Ferreira Figueiredo. "Em cinco anos, 30 grupos deverão controlar 70% do segmento", acredita Figueiredo, também presidente do grupo Cruzeiro do Sul Educacional.
O setor privado tem grandes perspectivas de crescimento, destaca o executivo sênior do HSBC Private Banking, José Feliciano. "O ensino privado representa 75% do setor de educação", diz. E são essas instituições que têm condição de crescer e contribuir para aumentar a popularização. No Brasil, apenas 20% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados. Na Argentina, esse índice é de 61%, no Chile, de 43%, e na Rússia, 68%.

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VALOR ECONÔMICO
Ensino: Compra do Iuni envolve R$ 422 milhões

Beth Koike, de São Paulo, 15/03/2010







Após seis meses de negociação, uma das transações mais esperadas do mercado de ensino superior foi concluída na sexta-feira. A mineira Kroton adquiriu a totalidade do capital da mato-grossense Iuni em uma operação envolvendo R$ 422 milhões. Desse total, R$ 192 milhões serão pagos em dinheiro ao fundador do Iuni, Altamiro Galindo, que também ficou com 6,31% do capital da Kroton, que equivale a R$ 80 milhões. Além disso, a instituição de ensino mineira - cujo principal acionista é o fundo americano Advent e tem como um dos fundadores o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia - assumiu uma dívida de R$ 150 milhões contraída pelo Iuni.
A operação não incluiu duas importantes faculdades, a Uninorte (Acre) e a Uniron (Porto Velho), que têm outros sócios além da família Galindo. Juntas, essas unidades têm 10 mil alunos e representavam 15% da receita do Iuni.
O fechamento do negócio representa a criação de uma instituição de ensino com receita líquida de R$ 622,2 milhões e 86 mil alunos no ensino superior. A Kroton atende ainda 265 mil estudantes do ensino básico que adotam o sistema de ensino (apostilas) Pitágoras. O Iuni foi disputado também pelos grupos americanos Apollo e Laureate e pelos fundos BR Educacional e Gávea
"O que motivou a operação é que as duas instituições têm operações complementares geograficamente e, com a escala adquirida, há grande potencial de crescimento", disse Rodrigo Galindo, filho do fundador do Iuni, que continuará no negócio como vice-presidente executivo da Kroton. Seu pai, Altamiro, terá uma cadeira no conselho e atuará ao lado dos fundadores, Walfrido dos Mares Guia e os empresários Evando Neiva e Julio Cabizuca, que possuem cada um cerca de 9% do capital.
"Com a escala que conquistamos vamos melhorar ainda mais nossa margem ebitda [sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações]. Entre 2012 e 2013, a margem ebitda deve ser equivalente à do Iuni, que foi de 23,4% no ano passado", disse Luiz Kaufmann, presidente da Kroton. A margem ebtida da Kroton foi de 12,2% em 2009.

Luiz Kaufmann, presidente da Kroton: com negócio, grupo passará a ter receita de R$ 622,2 milhões e 86 mil alunoS.

Um dos pontos interessantes na operação é que não há sobreposição de faculdades. A Kroton tem 24 unidades nas regiões Sul e Sudeste e o Iuni conta com 16 faculdades no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. "Também haverá troca de experiências na área acadêmica. O Iuni é forte em medicina e a Kroton em engenharia", disse Galindo. "Estamos muito satisfeitos porque no início era puramente uma venda e agora é praticamente uma fusão, o que é muito melhor porque eles trazem conhecimento e agregam valor à empresa", complementou Kaufmann.
Na sexta-feira, a Kroton divulgou também seu balanço financeiro já com dados do Iuni. A instituição mineira encerrou o ano com receita líquida de R$ 352,9 milhões, uma alta de 26,3% em relação a 2008. Porém, teve um prejuízo de R$ 8,1 milhões contra um lucro líquido de R$ 30, 5 milhões em 2008. O resultado negativo é reflexo basicamente de uma provisão de R$ 44,8 milhões de pagamentos não-recorrentes, que não serão mais apontados no próximo balanço, segundo Kaufmann.
Já o Iuni encerrou o ano com aumento de 89% no lucro líquido, que somou R$ 32 milhões. A receita apresentou crescimento menor, de 16,5%, e ficou em R$ 269,3 milhões. "Além da melhora operacional, a nossa adesão ao Refis contribuiu para que tivéssemos um ganho financeiro, com o abatimento de juros e multas da dívida", afirmou Rodrigo. O Iuni parcelou seu débito tributário de R$ 67 milhões no Refis 4, programa do governo federal.

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Ensino: Grupo investirá, em sua nona aquisição no país, R$ 20 milhões em 2010 e até R$ 90 milhões em três anos
Laureate compra 90% do IBMR e entra no mercado carioca

Valor Econômico, Beth Koike, de São Paulo - 19/01/2010





Após anos de tentativas, o grupo americano de ensino Laureate, enfim, fincou seu pé no mercado carioca. Adquiriu 90% do controle do IBMR, uma pequena instituição de ensino focada na área da saúde, fundada há 35 anos pela família Hermínio da Silveira.
A opção por comprar uma faculdade pequena - diferente dos outros oito negócios fechados desde 2005 no país, com instituições de ensino de grande porte - exige outra estratégia e mais recursos. O grupo americano, que tem cerca de 70 mil alunos no Brasil, vai investir já neste ano R$ 20 milhões para criar novos cursos e expandir a atuação da IBMR, que hoje oferece apenas cursos como fisioterapia, psicologia e nutrição.
"O IBMR é referência na área de saúde. Queremos aproveitar essa credibilidade e criar cursos de negócios, por exemplo, nas área de esportes e hotelaria para aproveitar a Copa e a Olimpíada", diz Elizabeth Guedes, nova reitora do IBMR e vice-presidente acadêmica da Laureate no Brasil.
Segundo ela, o investimento da Laureate no IBMR pode chegar a R$ 90 milhões nos próximos três anos. O objetivo é usar esses recursos para a criação de um terceiro campus na Barra da Tijuca, que deve ser erguido ainda em 2010. "Do investimento total, cerca de 40% serão para prédios e equipamentos de informática. Os demais 60% são para contratação de novos professores e bibliotecas", explica Elizabeth, que antes esteve por três anos na Anhembi-Morumbi, também pertencente à Laureate.
A meta da Laureate, um dos cinco maiores grupos privados de ensino superior do país, é que o número de alunos no IBMR salte dos atuais 1,1 mil para 15 mil a 20 mil em sete anos. "Queremos ser uma opção para aqueles que buscam a qualidade da UFRJ e da PUC-Rio, mas com preços mais acessíveis. Nossa mensalidade será entre R$ 800 e R$ 900, no máximo", disse.
Para atrair estudantes, a reitora está fechando parceria com faculdades internacionais que compõe o grupo Laureate a fim de oferecer dupla titulação aos alunos, convênios com bancos para bolsas de estudos, além de uma parceria com um time de futebol carioca, cujo nome não foi revelado, para o curso de negócios na área de esporte.
A ideia é repetir o modelo que a Universidad Europea de Madrid, associada à Laureate, tem com o time de futebol Real Madrid. "Os espanhóis aprendem na prática como administrar um time de futebol como o Real Madrid. Vamos fazer o mesmo aqui com um time local. Além disso, os professores da Universidad Europea vão ministrar aulas aqui e os fisioterapeutas brasileiros, que têm ótima credibilidade, vão dar aula lá fora. É um intercâmbio", disse Elizabeth.
No Brasil desde 2002, a Laureate é dona de mais de 50 instituições de ensino e possui cerca de 500 mil alunos no mundo .

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Setor privado usa notas do MEC para fazer publicidade

Valor Econômico, Daniele Madureira, de São Paulo
03/09/2009
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O Ministério da Educação (MEC) não publicou um ranking oficial dos Índices Gerais de Cursos das Instituições (IGC), indicador divulgado nesta semana sobre a qualidade do ensino superior no Brasil. Na tentativa de evitar polêmicas, limitou-se a divulgar a nota das universidades, conferindo uma faixa de desempenho a cada uma delas - 1 e 2 são níveis ruins, 3 é satisfatório, 4 é bom e 5 é excelente. Mas algumas instituições privadas se encarregaram de fazer a própria classificação e estampar o desempenho em anúncios em jornais.
Foi o caso da conceituada Fundação Getúlio Vargas (FGV), que publicou ontem anúncio de página inteira em três jornais de grande circulação, destacando que, "das cinco melhores faculdades e institutos do país, 3 são da FGV". Atendida pela Agência3, a FGV investiu R$ 9,3 milhões em publicidade em 2008, segundo a editora Meio & Mensagem.
Outra investida em cima da avaliação do MEC foi feita pela Facamp, de Campinas. Fundada há 10 anos por ex-professores da Unicamp, a instituição tem oito cursos e a mensalidade média é de R$ 2 mil. "Vamos trabalhar com o ranking do IGC na mídia, que atesta a seriedade do nosso trabalho", diz o diretor da Facamp, Fernando da Rocha Azevedo. O anúncio em jornais de ontem destacou em letras garrafais: "Ranking do MEC-2009 - Facamp novamente entre as 21 melhores do Brasil". A instituição não divulga verba de mídia, mas está incrementando suas ações este ano. Em parceria com a CPFL, a Facamp promove a "Olimpíada de Atualidades", envolvendo 19 mil alunos de ensino médio.
Já a Universidade de Guarulhos (UnG) pagou espaço publicitário para reclamar da sua pontuação no IGC, que a situou na faixa 2, de cursos ruins. A ação, segundo informou em nota, teve o objetivo de "minimizar a ranhura causada à marca UnG, uma universidade com 40 anos, entre as mais tradicionais do país".
Outras universidades que tiveram pontuação intermediária (nível 3) preferiram não comentar os resultados em anúncios, mas estão com novas campanhas publicitárias, já visando o vestibular 2010. É o caso da Anhembi Morumbi, que integra a rede de universidades Laureate. "Estamos levando para a rede social Youtube o convite de nove alunos brasileiros e estrangeiros, de diferentes cursos da rede no mundo, para trocar experiências com potenciais alunos aqui no Brasil", diz o vice-reitor da Anhembi Morumbi, Ricardo Grau. A ação também foi estendida ao Twitter.
Já a Anhnaguera - que foi obrigada pelo Ministério Público a publicar na terça-feira anúncio na capa de alguns dos principais jornais em cidades onde a instituição atua, a fim de esclarecer o público sobre a diferença entre cursos presenciais e à distância - também recebeu pontuação 3 do MEC e não deve explorar o assunto na mídia. Mas entra com campanha, assinada pela Ogilvy, no final deste mês, em busca de mais vestibulandos. Hoje, segundo o diretor de marketing George Neiva, a Anhanguera faz um mix de mídia entre rádio, TV, internet e mídia exterior. "Também somos patrocinadores da Band na transmissão do futebol".